"Classicismo, Realismo, Vanguarda"


A Embaixada da Itália no Brasil em parceria com o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e o Centro Cultural Banco do Brasil trouxeram para Brasília a mostra “Classicismo, Realismo, Vanguarda – pintura italiana no Entre-guerras”, exposição de mais de 60 pinturas de autores italianos do período entre os anos 1914 e 1945. A abertura para o público será no dia 24 de novembro.


Autorretrato (1919) de Amedeo Modigliani.

O rico acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP possui obras de renomados pintores italianos como Amedeo Modigliani, Carlo Carrà, Giorgio De Chirico, Gino Severini, entre outros, sendo a maior coleção de pintura moderna italiana do século XX fora da Itália. Segundo a curadora da mostra, Ana Gonçalves Magalhães, as obras foram compradas por Francisco Matarazzo Sobrinho entre 1946 e 1947 para doação ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, que seria inaugurado em 1948. Dentre as obras, a que mais se destaca é o Autorretrato (1919) de Amedeo Modigliani, o único autorretrato do artista realizado em pintura.


O período entre 1914 e 1945 é importantíssimo na história da Itália do século XX. A Itália participa das duas Guerras Mundiais, além de vivenciar os anos de fascismo e a grande crise econômica de 1929. Finalmente, a 2 de junho de 1946, a República Italiana é proclamada.


Nesse cenário surge o movimento Novecento, fundado em Milão na década de 1920 para criar uma arte baseada na retórica do fascismo de Mussolini. Esse movimento procurava renovar a arte italiana conectando-se com o Renascimento. Ele foi liderado pela escritora e crítica de arte Margherita Sarfatti, amante de Mussolini, estando claramente alinhado ao seu regime.


Fuga no Egito (1947) de Mario Sironi.

Artistas de diferentes horizontes - dentre eles Achille Funi e Mario Sironi, cujas obras estão presentes na mostra - se reuniram nesse movimento para uma arte que defendia um retorno aos valores tradicionais do espírito latino em contraposição ao historicismo das vanguardas, especialmente o futurismo, e que pretendia voltar à suprema referência da antiguidade clássica, a pureza das formas e harmonia na composição.


Natureza-morta (1940) de Giorgio De Chirico.

Contrapondo-se ao Novecento surgem a Escola Romana - representada na mostra por obras de Mario Mafai e Scipione (Gino Bonichi) - com sua abordagem mais próxima do expressionismo europeu, opondo-se ao neoclássico e uma relação conturbada com o regime fascista, e o grupo dos Italianos de Paris, como De Chirico, Severini e Campigli, que pretendiam reiterar a superioridade da arte italiana mesmo quando feita fora da Itália.


A mostra "Classicismo, Realismo, Vanguarda" permanece em exibição ao público no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília até o dia 20 de janeiro.

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